
José Maria Marin, ex‑presidente da CBF e ministro de governos paulistas, faleceu aos 93 anos em São Paulo. Relembre sua carreira política, sua gestão no futebol e o escândalo Fifagate que marcou sua trajetória. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês e o velório aconteceu ainda no final da tarde em capital paulista.
Nascido em 6 de maio de 1932, em São Paulo, Marin construiu uma carreira sólida na política local. Formado em Direito pela USP em 1955, foi vereador (1964–1970), deputado estadual (1971–1979), vice‑governador (1979–1982) e assumiu o Governo de São Paulo em 1982, permanecendo até inicio de 1983. Sua influência política militarista estava alinhada ao regime militar, sendo filiado à Arena e defensor da repressão à esquerda.
Carreira no futebol
No esporte, Marin iniciou como ponta‑direita na juventude, atuando por São Paulo e clubes menores nos anos 1950. Em 1982, tornou-se presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), cargo que ocupou até 1988. Foi chefe da delegação brasileira na Copa de 1986, no México.
Em 12 de março de 2012, assumiu interinamente a presidência da CBF após a renúncia de Ricardo Teixeira, passando a titular dias depois. Ficou à frente da entidade até 16 de abril de 2015, liderando o Comitê Organizador da Copa do Mundo FIFA 2014. Durante sua gestão, o Brasil perdeu por 7 a 1 para a Alemanha e inaugurou a nova sede da CBF na Barra da Tijuca — com seu nome na fachada, hoje retirado.
Escândalo e condenação: Fifagate

Em maio de 2015, Marin foi detido pela operação do FBI contra a corrupção na FIFA, o "Fifagate", enquanto estava na Suíça. Extraditado aos EUA, foi julgado e condenado em 22 de agosto de 2018 a quatro anos de prisão por conspiração, lavagem de dinheiro e fraudes envolvendo torneios como a Libertadores, Copa América e Copa do Brasil.
Ao cumprir pena em Nova York, Marin foi libertado em 2020 para cumprir o restante da sentença no Brasil, sob prisão domiciliar devido à pandemia e sua idade avançada. Pagou fiança de US$ 3 milhões e usou tornozeleira eletrônica, chegando a morar na Trump Tower, em Nova York.
Em 2019, foi banido da FIFA por toda a vida.
Fase final de vida
Após seu retorno ao Brasil, viveu recluso. Em 2023, sofreu um AVC em São Paulo que exigiu cuidados médicos contínuos, sem grande exposição pública até seu falecimento neste domingo. A CBF lamentou o falecimento em nota divulgada na madrugada de 20/07/2025, confirmando velório em São Paulo e destacando sua trajetória como presidente da entidade entre 2012 e 2015.
Avaliação de legado
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Político forte: foi uma figura de poder no governo militar paulista, chegando ao posto de governador.
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Dirigente esportivo influente: presidiu a FPF e comandou a CBF na Copa de 2014, deixando uma sede ornamentada com seu nome (posteriormente removido).
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Figura polêmica: envolvido no Fifagate, foi preso, condenado e banido da FIFA — seu nome ficou marcado por corrupção.
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Fim discreto: após o AVC de 2023, viveu afastado dos holofotes até sua morte.







